As nossas crianças precisam de aprender a esperar!

Não me recordo de ter formalmente aprendido a ser paciente.

Mas lembro-me, de tempos longínquos, de estar em casa e sentir que não tinha nada para fazer, mas era um sentimento tão bom e tão apaziguador que ficava apenas a olhar, a estar, a serenar, a …

Quando se aproximam umas quantas crianças cheias de pressa e cada uma quer a minha atenção, no agora, em que o meu nome é repetido milhentas vezes ao dia, (e acreditem que não estou a exagerar), preciso de fazer uma ginástica mental e ir a todos os baús disponíveis buscar paciência extra. Aquela que armazenei quando era miúda e ficava sentada apenas a olhar…

Fico num instante rodeada de perguntas e necessidades emergentes que não podem esperar, como se o momento acabasse, porque tudo tem de ser para já.

Quando os vejo, ainda ao longe e tão perto, com aquela ansiedade de chegar primeiro, um corpo em correria e sou abordada por várias vozes que se sobrepõem, aquelas que estão a aprender a aguardar. Digo, com voz firme: calma, um de cada vez. Mas, a vez, é de todos e sozinhos não gerem a sua vez… 

Lembro-me de esperar para ver os meus desenhos preferidos,

lembro-me de esperar pelo autocarro para ir para escola,

lembro-me de esperar pelo fim de semana para estar com as minhas primas,

lembro-me de esperar pelo verão para comer um gelado,

lembro-me de esperar que os meus pais acabassem de falar,

lembro-me…

Não me lembro de fazer birrar e exigências, porque (in)conscientemente estava a aprender a ter paciência.

Hoje, pensemos: em que momento as crianças exercitam a paciência?

Os desenhos animados estão disponíveis a qualquer hora, a par da Internet que fornece uma imensidão de conteúdos. O autocarro deu lugar ao carro minimizando tempos de espera. O gelado come-se em qualquer estação do ano e as visitas fazem-se quando queremos, já se fala no natal e ainda não chegaram as férias grandes. – Tudo ao alcance de um “já”.

Coisas boas, claro que sim, muitas, mas não permitamos que o “agora” seja feito com exigência e arrogância, que roçam a má educação. Que o seu “eu” não se sobreponha ao do outro, que haja humildade de reconhecer que o outro também tem um “agora”.

A paciência que as nossas crianças desenvolvem dentro de casa, as tornará, num amigo que respeita as diferenças e um ser humano capaz de se dar, o tempo necessário, para refletir sobre o que vê, ouve e lê!

Dê o exemplo: seja paciente.


Natália Correia 

(Re)EDUCAR…. Do meu ponto de vista!

 

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