Os lápis

Após dois meses de escola... De aprendizagem e "socialização" com algum material que até então já conhecido, mas não tratado com o devido respeito, as crianças são responsabilizadas por um estojo cheio de coisas giras e suas, estando à mão de semear sempre que se sentem menos motivadas para os conteúdos programáticos que a professora está a transmitir.

E haverá melhor junção que um afia e um lápis de carvão prontinhos a estrear? Penso que não, pelo menos é o que a experiência me diz.
E as regras e os cuidados são relembrados variadíssimas vezes, se calhar não tantas como as vezes que os lápis são afiados...Mas sem querer lá estão eles juntinhos e o lápis vai desaparecendo...
É interessante observar a forma como a criança se sente ao ter na sua posse um conjunto de instrumentos de trabalho que o acompanhará na sua longa caminhada pela escola. Onde lhe é proporcionada, numa situação tão simples, a responsabilidade de fazer escolhas, tomar decisões e fazê-la compreender que cada uma delas tem consequências.
Perceber que tanto trabalho foi realizado, que aquelas pequenas mãos seguram no lápis para desenhar as suas primeiras letras e dar estrutura às suas primeiras ilustrações gráficas com um lápis de carvão. 
Lápis de carvão que é um aliado tanto como seu instrumento de trabalho, mas também como meu. Como apoio no registo diário da observação que é feita da criança, no desenho de um retrato dos passos percorridos na construção das aprendizagens. Essa forma de registar  diariamente a caminhada da criança tem o objetivo de mostrar a importância de cada dia, de cada passo, de cada conquista como uma situação de aprendizagem.
Qualquer procedimento que o educador escolha, deve ser pensado nesse desenvolvimento biopsicossocial, requer do educador/professor uma atenção direta à criança e um bom relacionamento entre ambos, oferecendo melhores oportunidades de identificação do desempenho da criança e de suas dificuldades.
Ao fim de dois meses este lápis está pronto para dar lugar a outro, mas a criança tem uma vida inteira pela frente para perceber que cada um tem o seu lugar. 

Natália Correia


(Re)EDUCAR... Do meu ponto de vista!

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