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A mostrar mensagens de julho, 2020

Socializar é tão importante na infância

"Posso tentar ir brincar com aquelas meninas?!" Uma pergunta simples e banal, mas que requer muita coragem por parte de muitas crianças mais tímidas e envergonhadas. Ela está bem, tem com quem brincar, mostra-se feliz..., mas, a sua curiosidade leva-a a tentar ir para além da sua zona de conforto e experimentar o outro como desconhecido e experimentar-se a si mesma enquanto pessoa.... Ótimo! "Claro, que podes" uma resposta de que já  estava à espera, mas que ao mesmo tempo queria que fosse contrária, mas dita em voz alta serve de confirmação de que o que queria fazer estava certo e tinha que ser feito. Por vezes socializar revela-se um caminho de percalços, pensar demais faz com que coloque muitos "ses", principalmente nela... A frustração aparece pela falta de coragem de não ter ido mais além... Ter o devido cuidado de que passar a linha pode ter riscos, mas o seu pilar de confiança deu permissão e conforto. Entretanto, este importante processo de sociali...

A FLOR

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"Pede-se a uma criança. Desenha uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém. Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direção, outras noutras, umas mais carregadas, outras mais leves, umas mais fáceis outras mais custosas. A criança fez tanta força em tantas linhas que o papel quase não resistiu. Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais. Depois a criança vem most rar essas linhas às pessoas: Uma flor! As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor! Contudo a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor! " *José de Almada Negreiros in A Invenção do Dia Claro
  "As pessoas educam para a competição e esse é o princípio de qualquer guerra. Quando educarmos para cooperarmos e sermos solidários uns com os outros, nesse dia estaremos a educar para a paz." *Maria Montessori

“QUERO IR PARA A CAMA”

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Cá por casa... É uma frase que se ouve do mais novo, quando a distração dos crescidos deixou passar um pouco mais da hora. É verdade, a hora de deitar não tem de ser um pesadelo, mas tenho ouvido com frequência que: “cada vez é mais difícil deitá-la... , é tardíssimo e está cheia de energia e sem sono... , está com uns olhos super cansados mas não se quer deitar, se calhar já não devia dormir a sesta... “ Desculpem-me... Mas a criança até pode querer, mas quem tem a decisão final é o adulto. Para uns pode ser mais fácil do que para outros, mas nada é impossível. Cada família tem a sua rotina, as suas horas próprias, mas tem que haver regras definidas e permanentes, que estipulem o equilíbrio emocional e físico da criança. Mais do que importante é essencial uma (re)organização consciente do ambiente familiar. Há dias que se podem tornar exceções, mas não se podem tornar a regra. Cá por casa... Não foi fácil, mas também não foi impossível. Sabíamos o que queríamos e sabíamos que seria o ...
  "A infância não é um tempo, não é uma idade, uma coleção de memórias. A infância é quando ainda não é demasiado tarde. É quando estamos disponíveis para nos surpreendermos, para nos deixarmos encantar." * Mia Couto

Vamos brincar!?

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Quando se pensa em criança e brincar, fazemos uma relação imediata e por vezes inconsciente, ou não, entre a criança e um objeto/brinquedo que pressupõe ser conhecido, comprado, por vezes caro e que desenvolva uma série de competências na criança. A cor, o som, a interação, o tamanho, a marca, e se o amigo tem (ainda melhor), então vai-se comprar, a qualquer custo. Mas na raiz da palavra, brinquedo não é nada mais do que um objeto que a criança possa usar no  ato de brincar... Para brincar as crianças não precisam de brinquedos estereotipados vindos das lojas dos centros comerciais, precisam sim, de estar e de sentir o corpo, relacionar-se consigo e com o outro sem ter pelo meio objetos banais a estorvar. Daí ouvir-se dizer com grande admiração, "o meu filho tem tantos brinquedos e só gosta de brincar com as panelas lá de casa!" Temos de aceitar. .. Que as crianças sabem o que fazem... Temos de aceitar... Que as crianças precisam de aprender a viver devagar, a observar, a est...
  "Ajude-me a crescer mas deixe-me ser eu mesmo. " *Maria Montessori
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  "As crianças são investidas de poderes não conhecidos, que podem ser as chaves de um futuro melhor" *Maria Montessori

Dar tempo...

Repensemos no tempo, que disponibilizamos às coisas e aos momentos, que achamos que não somos capazes. Desistimos e culpabilizamos a situação, o objeto, a falta de jeito, ou mesmo a ausência de aptidão para tal. (In)conscientemente descartamos partes do dia, fazemo-las à pressa, frustramos porque achamos que não somos capazes. Qual de nós pode afirmar que dedica infalivelmente tempo suficiente à análise dos problemas ou tensões das crianças? Qual de nós é tão au todisciplinado que nunca diga resignadamente "não sou capaz" face ao problema. A questão é importante, principalmente porque muitas pessoas não se dispõem simplesmente a gastar o tempo necessário para resolverem muitos dos seus problemas sejam eles intelectuais, sociais ou espirituais. Enfiar a cabeça desastradamente pelo interior do problema, levar-nos-ia a deitar as mãos à cabeça e dizer "não sou capaz". E esta é a forma como muitos de nós abordamos os dilemas da vida no dia a dia. Dê tempo… Somos adultos ...

De costas voltadas, mas o mesmo propósito!

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Por vezes de costas voltadas, não significa que estejam zangados, muito pelo contrário, para juntos construírem algo, têm de perceber que nem sempre podem agarrar na mesma peça, mas sim em peças diferentes, que se complementam e encaixam dando forma ao que a mente formata, desde que trabalhem para o mesmo propósito, estão juntos. Mas esta premissa não é entendida de imediato, há discussão, desentendimento, disputas porque ambos quere m o mesmo, mesmo que haja vários. E é aqui que a construção se inicia, as fundações começam a ser preparadas para receber os pilares que suportará o Seu mundo, o mundo de cada um. Construir, é aquilo que procuro diariamente em conjunto com as crianças que tenho, que me dão tanto e que esperam outro tanto de mim. De costas voltadas, mas com o mesmo propósito, diariamente planeamos, desenhamos, organizamos o espaço, preparamos as ferramentas e colocamos mão à obra. Porque uma coisa é certa, sozinho é possível, mas com mais alguém, é muito mais divertido. Haj...